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Posted on November 19, 2013 · Posted in Portuguese

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Quem está usando cenários no projeto ROBIN?

Dentro do projeto ROBIN, o estabelecimento de cenários tem o propósito de fornecer o contexto geral no qual enquadra-se as perguntas científicas que pretende-se responder. Os cenários são descrições coerentes das possíveis alternativas futuras. São perspectivas integradas, que descrevem, em múltiplas escalas, a evolução futura de uma sociedade, incluindo a governança, assim como o uso da terra e de outros recursos naturais. Os cenários oferecem diferentes visões de mundo, internamente consistentes, e, podem ser usados para avaliar o efeito da implementação de diferentes tipos de políticas que incidem sobre a conservação da biodiversidade e sobre a mitigação das emissões de carbono.

Em diferentes áreas do projeto ROBIN, cenários mais gerais, têm sido aproveitados para estabelecer o contexto socioeconômico e político-governamental para o desenvolvimento, em múltiplas escalas, de cenários mais detalhados, incluindo a contribuição das equipes que vem trabalhando em escala local.

Dentro do projeto ROBIN, as principais áreas que necessitam do desenvolvimento de cenários mais detalhados são:

  • Modelagem da mudança de uso de solo para o futuro usando modelos CLUE e DINAMICA. Esses modelos utilizam informações de narrativas qualitativas para estabelecer como as demandas dos diferentes setores concorrentes (agricultura, silvicultura, pecuária, etc.), que disputam por terras, irão se desenvolver no futuro. Os mapas de uso futuro da terra, que serão elaborados com os modelos LPJml e Jules, constituem uma contribuição importante para a modelagem da superfície da terra. Sendo requeridos para modelar os fluxos futuros de carbono e água, assim como, para modelar os ciclos de retro-alimentação (feedbacks) entre a vegetação e o clima. Estes mapas podem constituir também entradas essenciais para a modelagem espacial de outros serviços ecossistêmicos, tais como, a produção agrícola, as emissões de gases de efeito estufa e o controle de doenças.
  • A contribuição vinda das equipes que trabalham na escala local (study cases) viabiliza a discussão em conjunto, sob as condições de cada cenário, das possíveis mudanças no nível local.

Quais são esses cenários gerais?

Os cenários gerais que estão sendo usados no projeto ROBIN são baseados nas sugestões contidas no IPCC, denominadas de “caminhos compartilhados socioeconômicos” (SSP), contidos no 5º Relatório de Avaliação do IPCC[1]. Dos cinco roteiros disponíveis, foram selecionados os três mais apropriados para o projeto:

SSP1 – Sustentabilidade (Céu): No mundo ideal, tanto a adaptação como a mitigação às mudanças climáticas apresentam alguns desafios para a sociedade. Há esforços contínuos para alcançar as metas de desenvolvimento e ao mesmo tempo reduzir a intensidade do uso dos recursos e dependência dos combustíveis fósseis. Globalmente e localmente há uma redução da desigualdade, desenvolvimento rápido da tecnologia, e um alto nível de conscientização sobre a degradação ambiental. A Governança é eficiente. Na América Latina, os esforços para reduzir o desmatamento são bem-sucedidos, e há uma crescente demanda por produtos sustentáveis, incluindo energia verde que impulsiona o crescimento econômico. Governos investem em medidas que melhoram a saúde e a educação.

SSP4 – Desigualdade: Os desafios são altos para a adaptação à mudança climática, mas são baixas para mitigação. Neste tipo de mundo, as corporações globais de energia investem em energia verde, como uma estratégia de proteção contra a escassez de recursos em potencial. Governança e globalização são controladas para o benefício da elite. Na América Latina, a elite juntamente com as grandes multinacionais continuam a extrair os recursos naturais do ambiente sem se importar com as consequências. Para o projeto ROBIN isso representa um cenário potencial extremo em relação à mudança no uso da terra (grande desmatamento continuo, na ausência de políticas de carbono), o que permite a possibilidade de explorar determinados pontos ambientais críticos.

SSP5 – Primeiro o desenvolvimento (desenvolvimento convencional): Os desafios são baixos para a adaptação, mas continuam altos para a mitigação. Este mundo insiste no desenvolvimento convencional orientado para o crescimento econômico como a solução para os problemas sociais e econômicos. O sistema de energia é dominado pelos combustíveis fósseis, e há pouca produção de culturas de biocombustíveis; as metas de desenvolvimento humano são atingidas, há uma infraestrutura altamente projetada e os ecossistemas são amplamente gerenciados. Na América Latina, as atitudes de “tecno-reparação” significa que um progresso significativo pode ser feito, por exemplo, no caso dos serviços ecossistêmicos, mas podem não ser benéficos para a biodiversidade, embora exista uma consciência ambiental básica bem estabelecida.

Futuros do clima:
Estes SSPs são examinados em conjunto com possíveis níveis futuros de fatores forçantes do clima, denominado Caminhos representativos de Concentração (PCRs). Estes vão desde os baixos níveis de forçantes climáticos (RCP3.7) com um aumento projetado da temperatura de 2 °C, a altos níveis de forçantes climáticos (RCP8.5), com o aumento da temperatura prevista de 8 °C. No projeto ROBIN somente consideraremos quatro combinações de SSP e PCR (ver Tabela 1).

Quadro. Destaca-se as combinações de cenários, entre SSPs e RCPs usados no projeto ROBIN (SIM=usados, NÃO=não usados)

Rotas Representativas de Concentração (RCP, W/m2)

Rotas Socioeconômicas Compartilhadas (SSPs)

 

SSP1 Sustentabilidade

         SSP4        Desigualdade

SSP5 Primeiro o desenvolvimento

3.7

Sim

 Não

Sim

4.5

 Não  Não

Não

6

 Não  Não

Não

8.5

 Não

 Sim

 Sim

As opções políticas

Em cada cenário, exploramos opções específicas de políticas de gestão combinadas. Os cenários são definidos como o conjunto de sequências de políticas que incidem progressivamente sobre os mecanismos fundamentais  de uso da terra. As opções políticas de gestão são progressivas, no sentido de que cada uma é aditiva para as ações que as precedem. Isso permite que as suposições feitas sobre a implementação das opções políticas sejam mais simples, também permitindo a comparação direta dos benefícios adicionais que derivam de uma política particular. As opções de políticas são:

• [C0] . Referência na ausência de políticas focadas em carbono ou outras políticas.

• [C1] . Foco em carbono 1 (Prevenção apenas do desmatamento)

• [C2] . Foco em carbono 2 (Prevenção do desmatamento e da degradação)

• [C3] . Foco em carbono 3 (Prevenção do desmatamento e da degradação, promovendo o reflorestamento)

• [C3 BD] . Carbono + Biodiversidade (Foco em carbono e salvaguarda da biodiversidade)

• [C3 BD ES] . Biodiversidade + Serviços ecossistêmicos + Carbono (foco em carbono, biodiversidade, considerando outros serviços ambientais)

Esses cenários gerais, contextuais, estão sendo desenvolvidos pelos diferentes componentes do projeto ROBIN, para gerar cenários mais detalhados. Fornecem a base para atingir resultados, em múltiplas escalas, durante os próximos seis meses a dois anos, respondendo às perguntas:”Podemos evitar a perda de carbono em áreas florestais? E, ao mesmo tempo, evitar danos em outros serviços ecossistêmicos? Além de salvaguardar a biodiversidade e os meios de subsistência das pessoas? “

Test run from the CLUE model

Test run showing land use change in Bolivia projected by the CLUE model from 2005 to 2050

Figura. Simulação da prova que mostra a mudança do uso de solo na Bolívia de acordo com o projetado no modelo CLUE ao longo do período que vai de 2005 a 2025.

 

Authors: Laurence Jones[1]  & Kasper Kok[2]
Editor: Andy Sier[1]

[1] NERC Centre for Ecology & Hydrology, UK; [2] Wageningen University, The Netherlands